sexta-feira, 25 de julho de 2008

GENERAL MIGUEL COSTA


MIGUEL ALBERTO CRISPIM DA COSTA RODRIGO
 nasceu na Argentina em 3/12/1885, filho de Jaime Costa VI e Dolores Rodrigo Otiz, ambos da Espanha.

Vieram para o Brasil em 7/09/1892. Instalaram-se na cidade de Piracicaba na Fazenda Pau D´Alho. Com o falecimento de Jaime Costa VI Dolores Rodrigo mudou-se para São Paulo passando a fornecer refeições (quentinhas) para os soldados da antiga Força Pública, hoje, Polícia Militar.

Jaime Costa, Daniel Costa e Miguel Costa ingressaram na carreira policial no ano de 1901. Alistaram-se no Regimento de Cavalaria. Aos 37 anos, em 1922, Miguel Costa foi promovido a major fiscal desse Regimento. (Sub-Comandante)

Em 1917, na grande Greve Geral, Miguel Costa foi incumbido de acabar com a greve a todo custo. Reuniu a cavalaria e se dirigiu ao Bras e Mooca onde se concentrava o maior foco de grevistas. Durante sua chegada, foi apedrejado, na testa, por um manisfestante mais exaltado, aturdido momentaneamente indagou o grevista. "O que eu fiz para receber essa pedrada?" e obteve a seguinte resposta: "Voce veio aqui para nos bater, porque não desce desse cavalo e venha ver como vivemos, não somos baderneiros, só queremos um aumento de salário." Miguel Costa se dirigiu aos porões dos bairros em greve (local onde também morava a maioria policial) e se viu diante da miseria que assolava o povo, viu uma mãe que amamentava uma criança que já estava morta. Diante de situação tão precaria, Miguel Costa levou a reivindicação dos grevistas ao governo e intermediando a manifestação colocou fim ao movimento sem precisar ofender qualquer cidadão.

Em 1924 foi informado pelo general Luiz Barbedo da situação política extremamente crítica em que estava o Brasil. Consciente de que era preciso tomar uma atitude severa, Miguel Costa aderiu à Revolução de 5 de Julho de 1924 com o compromisso de sublevar o Regimento de Cavalaria e todas as forças policiais.

O Brasil vivia em uma crise, havia somente um colégio, o Ginásio do Estado e para se matricular era preciso passar por um rigoroso exame admissional. A camada mais carente da população era quase em sua totalidade analfabeta. Os admitidos nesse Colégio eram somente os filhos da aristocracia brasileira e extrangeira. Estes, formavam-se doutores e posteriormente canditatavam-se aos cargos públicos e sempre eram eleitos, restando ao povo somente a conformação, e aquele que se exaltava era logo literalmente calado pela polícia a mando do governo. Quando o governo perdia alguma eleição, imediatamente a anulava ou adicionava por conta própria cédulas nas urnas com o candidato da situação. Nunca o povo poderia sair da condição precaríssima que estava, trabalhando de 12 a 14 horas todos os dias (sem os direitos que hoje desfrutamos) se não fosse a revolução vitoriosa que se inciou com Os 18 do Forte de Copacabana em 1922 no Rio de Janeiro, 5 de julho de 1924 em São Paulo e 1930 com quase todo o Brasil unido.

5 DE JULHO DE 1924

Na madrugada do dia 4 para 5 de julho de 1924 começou a se pôr em prática os planos revolucionários elaborados depois do massacre de 1922. (Os 18 do Forte de Copacabana foram assassinados por 4.000 soldados do governo com tiros de fuzis e metralhadoras [sobreviveu Eduardo Gomes e Siqueira Campos]) As guarnições rebeladas do Exército e da Força Pública unidas sairam as ruas de São Paulo determinados a tomar a cidade a todo custo. O plano dos revolucionários era tomar São Paulo sem que se disparasse um tiro na cidade e posteriormente marchar para o Rio de Janeiro mas, os atrasos, as deserções e outros incidentes deu tempo ao governo de se preparar para o combate. O governo reagiu ao enfrentamento pondo em uso todas as armas de que dispunha disparando seus canhões incessantemente destruindo tudo o que os seus projéteis alcançavam. O presidente do Estado de São Paulo, Carlos de Campos, foi alertado dos danos que estavam sendo causados a cidade, mas disse que o importante era o moral da burguesia e que não deveria se interromper o ataque.

O chefe da revolução, o general Isidoro Dias Lopes, no dia 8, deu órdens de cessar a revolta e de se iniciar a retirada mas o major Miguel Costa não cumpriu com o combinado e diante desse fato o general Isidoro abandonou o comando da revolução deixando Miguel Costa sozinho, este contava apenas com o apoio de Estilac Leal e Eduardo Gomes. Na madrugada do dia 8 para 9 de julho Miguel Costa escreveu uma carta a Carlos de Campos que não chegou a ser entregue porque o governo já havia se retirado de São Paulo. No conteúdo da carta Miguel Costa propunha a rendição mediante duas conições: primeiro que as promoções de cabos e sargentos fossem mantidas e segundo que a responsabilidade do levante da Força Pública recaísse somente sobre sua cabeça e que se não fosse mantida essas duas exigências muito sangue iria rolar pelas sarjetas de São Paulo. O governo se exilou no interior e os revolucionários dominaram a cidade até o dia 27 de julho de 1924. O general Isidoro reassumiu a liderança da revolução.

Centenas de tropas fiéis ao governo foram convocadas para liquidarem com os revolucionários. Com os ataques macissos, estes resolveram abandonar a cidade para evitarem maiores danos e preservarem a vida dos civís. A manobra estratégica foi sairem de trem em absoluta ordem e silêncio carregando todas as armas e munições possíveis.

Na cidade de Foz do Iguaçú (Paraná) perseguidos pelos legalistas (soldados fiéis ao governo) os 1500 revolucionários travavam batalha com as tropas governistas chefiadas pelo general Candido Rondom. (Candido Mariano Rondon ofereceu-se a Arthur Benranardes para matar os revolucionários em troca de isenção fiscal.)
Esse confronto durou cerca de sete meses. Dizia Rondon estar com os revolucionários no fundo de uma garrafa e com a mão no gargalo. (Fóz do Iguaçú faz divisa com o Paraguai e foi justamente pelo Paraguai que os revolucionários evitaram combate quebrando o fundo da garrafa de Rondom.)
Os revolucionários paulistas aguardavam a adesão de outros estados do Brasil, por esse motivo eles estavam ali parados, esperando outro estado para juntos combaterem. Alguams pessoas afirmam que os paulistas eram adéptos da guerra de posição, mas isso não é verdade, eles estavam parados somente esperando os gauchos chegarem. A guerra do movimento já era idéia do general Isidoro Dias Lopes e do Major Miguel Costa onde o primeiro dizia: "parados, derrotados" e dizia também que se deveria abandonar São Paulo para se "encetar a guerra do movimento no sul do país". Os únícos que apareceram foram os gaúchos que se somaram aos paulistas. Esses, estavam em condição de miséria humana, do Rio Grande do Sul, partiram com pouquíssimas armas, aquele Estado não dispunha de armamento. Seria impossível para os gauchos levarem a campanha deles a qualquer lugar porque eles não tinham armas nem munição, roupas e comida.
O proseguimento da luta só foi possível com a união de ambos, isolados, nem paulistas nem gauchos poderiam se movimentar.
Aos gauchos foi distribuído todo armamento de que dispunha o general Miguel Costa.
Depois de unidos é que foi criada a 1ª DIVISÃO REVOLUCIONÁRIA. O general Isidoro transferiu o comando desta 1ª DIVISÃO ao major Miguel Costa, este criou duas brigadas, a de São Paulo e a do Sul, estas brigadas estavam sob seu comando e tinha o nome de 1ª DIVISÃO REVOLUCIONÁRIA e não de COLUNA PRESTES. Eles invadiram o Paraguai e surgiram em Mato Grosso intactos. Para se evitar que a 1ª DVISAO REVOLUCIONÁRIA terminasse em sangue, devido aos atritos entre paulista e gauchos, o Major Miguel Costa misturou ambos e criou o Estado Maior, cargo que ficou sob responsabilidade de Luiz Carlos Prestes.

Eles marcharam por 11 estados brasileiros, a pé, a cavalo. Passaram todas as privações e enfrentaram todas as intempéries. Essa marcha, famosa no mundo mas desconhecida no Brasil, é a maior que se tem registro na humanidade. Foram 25.000 quilômetros. Eles libertaram escravos, puniram com justiça os escravisadores, fundaram cidades, ajudaram a reformular os mapas, salvaram vidas, contribuirarm para iluminar a mentalidade do povo brasileiro.

O governo colocou todas as polícias, lampeão inclusive, para matarem os revolucionários. Eles nunca foram vencidos.

Dois anos mais tarde, em 1927, exaustos do combate incessante e não renovado, se internaram na Bolívia.


Muitas pessoas não sabendo a verdade confundem a 1ª DIVISÃO REVOLUCIONÁRIA com Coluna Prestes. Esta, foi a que migrou do Rio Grande do Sul e desapareceu quando se unificou com a Coluna Paulista em Fóz do Iguaçú em 1925.
Prestes nunca comandou a 1ª Divisão Revolucionária, ele era chefe do Estado Maior, organismo de cúpula que está abaixo do Comando. É preciso antes de se estar convicto de qualquer posição saber qual a função de um Comando e qual a função de um Estado Maior. O Comando diz o que quer e o Estado Maior deve se encarregar de resolver o que o Comando determina.
Prestes foi em 1929 o substituto do Marechal Isidoro na Revolução de 1924 mas nunca foi o comandante da 1ª DIVISÃO REVOLUCIONÁRIA e isso se explica pelo seguinte motivo, ocorrido em 1929 na Argentina: "resolvemos elevar o nome do Prestes a altura de um verdadeiro líder que polarizasse toda a chama da revolução, surgiu então o "Cavaleiro da Esperança" o homem providencial pelo qual o Brasil ansiava." Escreveu João Alberto Lins de Barros, comandante do 2º Destacamento da 1ª DIVISÃO REVOLUCIONÁRIA. "Os oficiais da Coluna haviam concordado em ocupar segundo plano para que se salientasse sua figura, pois entendiam, com desprendimento, ser preferivel que um só aparecesse, evitando dispersão de prestigio. todos foram grandes na Coluna mas voluntariamente deram um passo à retaguarda para deixar à frente o Prestes e esperrava-se que o mesmo perseverasse em encarnar os principios de 1924. Como é que o Prestes agora abria mão de tudo, dava as costas aos companheiros de todos os tempos...?" Escreveu Nelson Tabajara de Oliveira, revolucionario paulista de 1924.

O General Miguel Costa era espírita, argentino, desquitado e chefe de polícia, não representava o líder adequado para o povo e por isso foi escolhido o Prestes como substituto. Essa substituição só durou até maio de 1930 porque na Bolívia Prestes havia tido contato com a literatura comunista e nesta encontrou a resposta para suas dúvidas. Prestes não revelou sua nova intenção de mudar a Pátria brasileira para Pátria russa e somente depois de ter substituido Isidoro (isso por acordo firmado entre os revolucionários) foi que resolveu contar suas novas idéias, fato que fez com que todos os revolucionários o abandonassem. Ele ficou sozinho e não participou da Revolução de 1930.

OUTUBRO DE 1930

Em 1930, esse movimento ressurgiu novamente das cinzas. O General Miguel Costa rumou para o Rio Grande do Sul. Juntou-se a Getúlio Vargas e Oswaldo Aranha e à frente do Exército Libertador, (vanguarda do sul) comandou 12.000 homens acantonando seu exército em Itararé. Nessa cidade deveria ter ocorrido a maior batalha das américas fato que não ocorreu porque o General Miguel Costa, dotato de extremo bom senso, enviou o deputado da bancada gaucha, Glycério Alves, para entregar intimação de rendição ao coronel adversário Paes de Andrade e este, consciente da derrota, baixou armas. Washington Luiz renunciou ao seu mandato de Presidente da Dinastia do Brasil. O povo venceu.
É importante lembrar que o General Miguel Costa foi o único policial militar a comandar grandes unidades e oficiais do Exército, tanto na 1ª DIVISÃO REVOLUCIONÁRIA quanto em Itararé.
Quando Miguel Costa entrou em São Paulo ele foi carregado pelo povo que o esperava na Estação Julio Prestes. Montou em seu cavalo e desfilou pela Avenida Paulista. Pronunciou seu primeiro discuros no Explanada Hotel, em frente ao Teatro Municipal. Pregou a anistia para todos. Em 1932, quando os cafeeiros, a elitizada dinastia aristocrática, resolveu dar o golpe do dia 9 de Julho de 1932 articulando essa manobra suja para voltarem ao poder, Miguel Costa foi preso. Pediu sua reforma e disse: "O Brasil que siga seu destino".
Tudo transcorria perfeitamente bem, a constituição estava marcada para 1933, porque a pressa de alguns? Por que na política, quem está dentro não quer sair e quem está fora quer entrar.


Em 1935, desligado da Força Pública, presidente da ALIANÇA NACIONAL LIBERTADORA e do PARTIDO POPULAR PAULISTA foi preso novamente. Depois foi preso em 1937.

Na foto acima o primeiro da esquerda é o General Miguel Costa, ao seu lado está o Tenente Coronel Góes Monteiro, Getúlio Vargas e Francisco Morato.

Miguel Costa nunca foi comunista como pregaram seus opositores. Falava que guardava o comunismo no coração e os comunistas na cadeia. Ele era um reformador e um dos fundadores do Partido Socialista Brasileiro.

Salve Miguel Costa. Esse sim orgulho de uma raça.

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